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Geociências

IBGE lança revisão técnica das Regiões Fitoecológicas do Brasil

Editoria: Geociências | Vitor da Costa

20/03/2026 10h00 | Atualizado em 20/03/2026 10h00

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (20) a atualização do Mapa de Regiões Fitoecológicas e Outras Áreas. O produto traz como novidade a inclusão da Floresta Estacional Sempre-Verde e do Refúgio Vegetacional à Macrocaracterização dos Recursos Naturais do Brasil, lançada em 2019. 

Esta publicação apresentou os resultados gerais obtidos ao longo do Projeto de Mapeamento dos Recursos Naturais (MRN), cartografando e descrevendo os grandes conjuntos de elementos naturais dos temas Geologia (rochas), Geomorfologia (relevo), Pedologia (solos) e Vegetação compatíveis com a escala 1:250 000 em todo o território nacional. O objetivo era de agrupar os dados coletados e projetá-los em mapas de forma mais acessível à população. 

Parque Nacional das Sempre-Vivas localizado na Serra do Espinhaço, Minas Gerais - Crédito: Liane Barreto Alves Pinheiro.

Regiões Fitoecológicas 

Nesse sentido, as regiões fitoecológicas são áreas do território que possuem tipos de vegetações semelhantes, orientados a partir das características ecológicas do ambiente, como relevo, solo, dentre outros. 

O mapa das Regiões Fitoecológicas e Outras Áreas retrata os limites pretéritos da cobertura vegetal brasileira.  Estes foram agrupados em nível de Subgrupo de Formação em dez regiões fitoecológicas, sendo elas: Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Sempre-Verde (incluída nesta revisão técnica), Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, Campinarana, Savana (Cerrado), Savana-Estéptica (Caatinga) e Estepe (Campos Sulinos). 

Já as chamadas Outras Áreas - que não se enquadram como Região, mas possuem cobertura vegetal - são compostas pelas Formações Pioneiras (Mangues, Restingas e Vegetação com influência fluvial/lacustre), pelos Refúgios Vegetacionais (também incluído nesta revisão) e pelas Áreas de Tensão Ecológica (quando há contato ou transição entre dois ou três tipos de vegetação). 

Atualização do Mapa das Regiões Fitoecológicas e Outras Áreas do Brasil.

Diversidade dos Refúgios

A inclusão dos Refúgios ocorreu após expedições de campo ocorridas em 2024 e 2025, na região da Serra do Espinhaço no Estado de Minas Gerais. Neste caso, evidenciou-se a importância desta fitofisionomia pela constatação da expressiva extensão geográfica, frequência, diversidade e endemismos florísticos - espécies de plantas que existem naturalmente apenas em uma determinada região geográfica. 

Como explica a chefe do setor do meio biótico do IBGE, Luciana Temponi, os refúgios já eram mapeados pelo instituto, mas não haviam sido incluídos na divulgação anterior por serem considerados áreas pequenas na comparação com todo o território. 

“Dois fatores preponderantes nos levaram a fazer essa atualização. A primeira é que as formações pioneiras também são pequenas e elas já estavam no mapa. Além disso, todas as vezes em que fomos para campo e conversamos com pessoas e pesquisadores que trabalham nessas áreas, eles eram categóricos em afirmar que os refúgios deveriam estar presentes pela diversidade que eles trazem. Eles são muito diversos e com espécies que só ocorrem ali”, ressalta Temponi. 

Flor do Parque Nacional das Sempre-Vivas, em Buenópolis, Minas Gerais - Crédito: Sergio Hideiti Shimizu.

A pesquisadora também destaca que os refúgios são comunidades “relíquias”, já que preservam uma vegetação de um tempo passado, que permaneceu mesmo sob mudanças ambientais ou climáticas. Elas são, portanto, um testemunho de uma vegetação mais antiga do que a do entorno atual, representando 0,2% do território nacional.  

“Com essas visitas de campo, tivemos um maior contato com os refúgios e vimos que era importante que eles estivessem presentes”, disse Temponi.

Já a individualização da Floresta Estacional Sempre-Verde justifica-se por esta ser um tipo de vegetação que apresenta alto verdor da sua cobertura arbórea, mesmo no período mais crítico da estiagem. Sua maior ocorrência foi registrada no estado do Mato Grosso (MT). Este tipo de vegetação ocupa aproximadamente 170 mil km², correspondendo a 2% do território nacional. 

Refúgio Vegetacional, em Santana do Riacho, Minas Gerais - Crédito: Sergio Hideiti Shimizu.

Maior compreensão sobre o território 

A chefe do setor do meio biótico do IBGE ressalta que a macrocaracterização dos ambientes, delimitando os vários tipos de vegetação encontrados no país, pode auxiliar na compreensão dos tipos florestais campestres e outras áreas em períodos recentes e pretéritos. Esses dados, portanto, produzem conhecimentos que podem auxiliar na discussão de políticas públicas. 

“O mapa de regiões traz uma separação maior do que o de biomas. Dentro do Bioma Mata Atlântica, por exemplo, você tem várias Regiões Fitoecológicas. E existem áreas que têm comportamento diferenciado. Se você está em uma área que tem Floresta Ombrófila, quer dizer que ali chove bastante, é um ambiente úmido. Já se você tem um refúgio, espera um ambiente mais rochoso. O mapa funciona bem para você entender e conhecer melhor o território, alguns processos e os tipos de vegetação do nosso país.  A interpretação e o conhecimento do território são maiores”, explica Temponi. 

Refúgio Vegetacional em Santana do Riacho, Minas Gerais - Crédito: Sergio Hideiti Shimizu.

Coleção Macrocaracterização 

O produto lançado complementa a publicação Macrocaracterização dos Recursos Naturais do Brasil no capítulo Regiões Fitoecológicas e Outras Áreas. Com isso, há a inclusão da Floresta Estacional Sempre-Verde (Floresta Estacional Perenifólia) e do Sistema dos Refúgios Vegetacionais (Comunidades Relíquias).  

A atualização do Mapa é fruto da evolução do conhecimento e do mapeamento dos recursos naturais, no âmbito do IBGE. 

A coleção Macrocaracterização dos Recursos Naturais do Brasil está disponível na Plataforma Geográfica Interativa do IBGE e no Banco de Dados e Informações Ambientais. O objetivo da coleção é oferecer à sociedade um retrato do ambiente natural brasileiro, possibilitando uma visão ampla e integrada do território.