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IBGE promove reunião técnica para debater metodologia sobre população em áreas de risco
16/04/2026 15h22 | Atualizado em 16/04/2026 15h22
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou, no último dia 08, no Centro de Inteligência Corporativa (CIC), no Rio de Janeiro, uma reunião técnica para debate metodológico e tomada de decisões sobre a produção de contabilização e caracterização da população residente em áreas de risco no Brasil. O encontro reuniu equipes técnicas do Instituto e representantes do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN).
A reunião teve como foco os desafios relacionados à produção e à divulgação de informações populacionais em áreas suscetíveis a desastres, especialmente diante do avanço das discussões institucionais sobre sigilo estatístico e o risco de identificação indireta em análises espaciais com recortes territoriais específicos, como são as áreas de risco hidrogeológico.
O debate dá continuidade ao trabalho desenvolvido no produto População em Áreas de Risco no Brasil, publicado em 2018, cujos resultados foram elaborados a partir da metodologia da Base Territorial Estatística de Áreas de Risco (BATER). À época, a metodologia utilizava a sobreposição de áreas de risco com unidades territoriais do Censo Demográfico 2010, como setores censitários ou faces de quadra, permitindo aproximações compatíveis com as diretrizes de sigilo então vigentes.
Durante o encontro, foi discutida a necessidade de aprimoramento metodológico, com destaque para a transição do uso de unidades territoriais agregadas para a associação das áreas de risco a pontos georreferenciados do Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (CNEFE). Essa estratégia busca ampliar o controle sobre os processos de agregação dos resultados e aumentar a precisão das informações produzidas, mantendo a conformidade com os princípios do sigilo estatístico.
Para a Diretora de Geociências do IBGE, Maria do Carmo Bueno, a discussão metodológica é essencial para conciliar a produção de informações detalhadas com os princípios institucionais do sigilo estatístico. “Caracterizar a população que vive em áreas de risco é fundamental para subsidiar políticas públicas e ações de enfrentamento a desastres, mas esse trabalho precisa ser realizado com rigor técnico e atenção permanente à confidencialidade dos dados, de modo a assegurar a qualidade e a integridade das informações divulgadas à sociedade”, destacou.
A programação incluiu apresentações técnicas, esclarecimentos, exposição de uma nova proposta metodológica e rodadas de discussão voltadas à adequação ao sigilo estatístico, à definição da unidade espacial de divulgação dos dados e à perspectiva de cronograma para o desenvolvimento do trabalho.
Segundo a Coordenadora de Meio Ambiente, Maria Luisa Pimenta, o avanço metodológico discutido no encontro fortalece o uso integrado das informações estatísticas e geocientíficas. “O aprimoramento das metodologias para a população em áreas de risco amplia a capacidade de análise sobre vulnerabilidades socioambientais e contribui para uma melhor articulação entre dados ambientais e demográficos, sempre em consonância com os princípios do sigilo estatístico adotados pelo IBGE”, ressaltou.
A caracterização da população residente em áreas de risco é considerada fundamental para subsidiar políticas públicas e estratégias de prevenção, redução e enfrentamento de desastres, ao permitir a compreensão de aspectos sociais, demográficos e de infraestrutura associados à vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, o IBGE reforça a atenção permanente à confidencialidade das informações estatísticas produzidas e divulgadas.