90 anos
XVI Seminário Brasil em Números debate dimensões da realidade brasileira
13/05/2026 17h17 | Atualizado em 13/05/2026 17h17

O primeiro dia do XVI Seminário Brasil em Números, realizado na Casa Brasil IBGE nesta quarta-feira (13), reuniu, em cinco mesas temáticas, especialistas e pesquisadores do IBGE que escreveram os capítulos da edição especial de 90 anos do IBGE.
O seminário está diretamente ligado ao lançamento da 33ª edição da publicação “Brasil em Números”, tradicional obra do IBGE, bilíngue (português e inglês), que apresenta um panorama abrangente dos dados sociais, demográficos e econômicos do país. Pela primeira vez, quase todos os artigos foram elaborados por especialistas da própria instituição, sendo apenas o capítulo sobre Poder Judiciário escrito por parceiros externos do Conselho Nacional de Justiça – CNJ.
O tema da primeira mesa foi Memória Ibgeana. Fabio Mauro de Carvalho Leite, servidor do setor de Memória do IBGE e autor da apresentação "IBGE: A Informação como Patrimônio Público", lembrou que a obra é ilustrada, tradicionalmente, com imagens de acervos de museus nacionais e que, nesta edição, foram utilizadas imagens exclusivamente do acervo do IBGE. Ele fez um paralelo entre o IBGE e a estrutura de um museu, pensando o Instituto como um grande museu nacional. “O IBGE cumpre, com rigor e escala, aquilo que define instituições museológicas: preservar, organizar e tornar público um patrimônio que pertence a todos”, concluiu.
Nessa edição, o capítulo "Uma breve história do Brasil" foi escrito por Leandro Miranda Malavota, da gerência de Biblioteca. Ele explicou que o objetivo do capítulo é fazer uma síntese histórica a respeito da formação social brasileira a partir de diversas dimensões. Dessa vez, o recorte temático escolhido foram as relações entre a capacitação tecnológica e o desenvolvimento econômico e social de um país, tomando a experiência brasileira como estudo de caso. “A história não é só um aspecto de erudição, ela também oferece ferramentas teórico-metodológicas importantes para se resolver problemas do presente. Ela não se refere somente ao passado, ela se refere também ao presente e ao futuro”, explicou.
A mesa 2, sobre Estatísticas Sociais, foi apresentada por Luciene Longo, autora do capítulo de População. Em sua apresentação, Luciene destacou a importância de um país conhecer as características de sua população: “é a partir desse conhecimento que se pode focar em políticas públicas para melhoria das condições de vida”. A pesquisadora enfatizou o processo de envelhecimento populacional como fator que impactará a organização social e econômica do país, explicando o processo de transição demográfica e concluindo que “o envelhecimento populacional no Brasil é um processo em andamento, irreversível e caracterizado por transformações aceleradas e heterogêneas entre diferentes regiões do País e recortes geográficos”.
Em seguida, a mesa de Geociências abordou o tema Território, que foi apresentado pelos servidores Rodrigo Rachid de Souza e José Antonio Sena do Nascimento, que falaram sobre aspectos físicos e da estrutura administrativa brasileira, respectivamente. “O território de hoje é fruto de todo um processo social ao longo do tempo”, pontuou Sena no início de sua apresentação, acrescentando que ele “é fundamentalmente um espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder”. Rodrigo mostrou as características das grandes regiões brasileira e falou também sobre a evolução da estrutura administrativa do país, explicando que “o recorte por região é pragmático, visa a chegar de forma otimizada para realidades diferentes”.
A quarta mesa abordou Estatísticas Econômicas. José Fernando Pereira Gonçalves falou sobre Preços, apresentando os indicadores de preços calculados pelo IBGE, suas diferenças e aplicações. Fernando fez o panorama do comportamento da inflação medida pelo IPCA no ano de 2024. Já os dados de Indústria foram apresentados por Rafael de Lima Monteiro, que falou sobre o diagnóstico de duas décadas de estagnação virtual e os desafios da reconstrução industrial: “a pergunta não é por que a indústria caiu em algum ano específico, mas por que ela não consegue sustentar a trajetória de expansão”, provocou o pesquisador. Em seguida, Marcelo Miranda Freire de Melo falou sobre Comércio e Serviços, apresentando resultados do ano de 2023.
A quinta e última mesa do dia, de Estatísticas de Multidomínio, contou com apresentação de Mauro Emílio Araújo sobre a evolução da divulgação de dados de comércio exterior pelo IBGE. David Montero Dias falou sobre a área de Energia, concluindo que “a descarbonização da economia está em progresso, e, portanto, a gente vive o processo de transição energética no Brasil, e por isso, a necessidade de que a gente monitore e continue essas políticas tecnológicas para poder manter essa tendência”. Nessa mesa, Rafael de Lima Monteiro também falou sobre Ciência e Tecnologia, defendendo que “o principal desafio da pós-graduação brasileira não está na escassez de produção científica nem na falta de financiamento, mas na configuração institucional que estrutura seus incentivos, critérios avaliativos, e sua relação historicamente frágil com o setor produtivo”.


