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PNAD Contínua

Domicílios alugados cresceram mais de 50% desde 2016

Editoria: Estatísticas Sociais | Irene Gomes e Sabrina Pirrho | Arte: Luiz Paulo do Nascimento

17/04/2026 10h00 | Atualizado em 17/04/2026 10h41

  • Destaques

  • Em 2025, o Brasil tinha 79,3 milhões de domicílios particulares permanentes, um aumento de 18,9% em relação a 2016.
  • O número de domicílios alugados foi o que mais cresceu de 2016 para 2025, 54,1%, enquanto o de domicílios próprios ainda pagando teve elevação de 31,2% e o de domicílios próprios pagos subiu 7,2%.
  • Telha sem laje de concreto foi o material predominante, com 48,9% (38,8 milhões) dos domicílios; e, nas paredes, alvenaria/taipa com revestimento chegou a 89,7%.
  • O acesso à rede geral de abastecimento de água estava presente em 86,1% dos domicílios do país.
  • Nas áreas rurais, apenas 8,9% dos domicílios tinham escoamento do esgoto feito pela rede geral.
  • A queimada na propriedade foi o destino do lixo em 4,8 milhões de domicílios do país.
  • Entre os bens pesquisados, a máquina de lavar roupa se destacou com um aumento contínuo dos domicílios.
  • De 2012 a 2025, a parcela da população com menos de 30 anos passou de 49,9% para 41,4%. Houve também uma redução de 10,4% no seu contingente, passando de 98,2 milhões para 88,0 milhões de pessoas.
  • Já a população com mais de 60 anos cresceu de 11,3%, em 2012, para 16,6%, em 2025, mostrando uma tendência de envelhecimento populacional.
  • De 2012 para 2025, o percentual da população que se declarava de cor ou raça branca caiu 3,8 p.p., passando de 46,4%, em 2012, para 42,6%, em 2025. No Sudeste (48,9%), o percentual ficou abaixo dos 50,0%.
  • A participação da população de cor ou raça preta cresceu de 7,4%, em 2012, para 10,4%, em 2025.
  • As unidades domésticas unipessoais, ou seja, compostas apenas por um morador, passaram de 12,2% para 19,7%, um crescimento de 7,5 p.p (8,2 milhões de domicílios a mais).
  • Em 2025, 56,6% dos homens em arranjos unipessoais tinham de 30 a 59 anos, e, entre as mulheres, 56,5% situavam-se na faixa de 60 anos ou mais.
O número de domicílios alugados foi o que mais cresceu de 2016 para 2025 (54,1%), enquanto o de domicílios próprios ainda pagando aumentou 31,2% e o de domicílios próprios pagos subiu 7,2% - Foto: Pxhere (montagem)

Em 2025, o número de domicílios particulares permanentes aumentou 18,9%, de 66,7 milhões para 79,3 milhões, em comparação com 2016. Neste período, o número de domicílios alugados foi o que mais cresceu, 54,1%, de 12,2 milhões para 18,9 milhões. Já os domicílios próprios ainda pagando tiveram elevação de 31,2%, enquanto os já pagos subiram 7,3%. As informações são da Pnad Contínua: Características dos domicílios e moradores, divulgada hoje (17) pelo IBGE.

O aumento das unidades domiciliares alugadas foi um dos destaques, de acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill. "Foi um aumento de 5,4 pontos percentuais em relação a 2016. Quase um quarto dos domicílios brasileiros são alugados, enquanto a taxa de domicílios próprios ainda pagando não variou muito ao longo do tempo; de 6,2, em 2016, para 6,8, em 2025. Já domicílio próprio que já está pago vem diminuindo e chegou a 60,2%. É uma redução de 6,6 pontos percentuais, em relação a 2016".

Entre os domicílios particulares permanentes no Brasil, 82,7% (65,6 milhões) eram casas, enquanto apartamentos totalizavam 17,1% (13,6 milhões), no ano passado. No entanto, de 2016 para 2025, o número de apartamentos cresceu 48,7%, enquanto o de casas aumentou 14,2%.

Maioria dos domicílios é de telha sem laje de concreto

Do total de domicílios no país, 48,9% (38,8 milhões) possuíam telha sem laje de concreto como material predominante na cobertura em 2025. Em seguida, o material predominante foi telha com laje de concreto, com 32,7% (25,9 milhões). Domicílios com somente laje de concreto eram 15,6% (12,4 milhões), e 2,7% (2,2 milhões) utilizavam outro tipo de material. A Região Sudeste foi a única que registrou percentual de domicílios com predominância de cobertura de telha com laje de concreto (49,1%), superior ao daqueles com telha sem laje de concreto (25,8%). Nas demais regiões, a cobertura de telha sem laje de concreto foi predominante.

Domicílios com parede em alvenaria/taipa com revestimento aumentaram 3,0% em um ano

A alvenaria/taipa com revestimento foi o material predominante nas paredes dos domicílios particulares permanentes em 2025, chegando a 89,7%. O avanço foi de 2,1 milhões de domicílios com esse material, que corresponde a um aumento de 3,0%, em comparação com o ano anterior. O crescimento foi proporcionalmente maior do que o avanço no número de domicílios no país (2,6%).

"É um número que mostra uma evolução econômica das regiões. O Norte tem se destacado, com um aumento de 10,0 pontos percentuais, chegando a 71,5% dos domicílios com esse tipo de parede", comenta o analista da pesquisa.

Proporção de domicílios com pisos de cimento diminui em todas as grandes regiões

Em 2025, 82,9% (65,7 milhões) dos domicílios particulares permanentes tinham piso de cerâmica, lajota ou pedra. O aumento foi de 28,7% em relação a 2016, quando 51,1 milhões de domicílios tinham esse tipo de piso, o equivalente a 76,6% do total. O segundo material que predominava nos pisos ano passado foi o de cimento, com 10,9% (8,6 milhões), seguido pelo de madeira apropriada para construção, 5,7% (4,5 milhões). Na comparação com 2016, todas as grandes regiões mostraram redução na proporção de domicílios com pisos de cimento e aumento na proporção daqueles com piso de cerâmica, lajota ou pedra.

Três em cada 10 domicílios rurais têm rede geral de abastecimento de água

Dos domicílios particulares permanentes em 2025, 86,1% (68,3 milhões) tinham acesso à rede geral de abastecimento de água, variando de 60,9%, no Norte, a 92,4%, no Sudeste.

“A Região Sudeste manteve a mesma proporção de 2016 para 2025. Esse número constante significa que o crescimento de domicílios na região tem sido acompanhado por uma proporção igual de expansão da rede geral de abastecimento. Quando esse percentual aumenta, significa que a expansão da rede de abastecimento está sendo maior do que a expansão do número de domicílios”, explica William.

A porcentagem de domicílios com rede geral de abastecimento de água foi maior em área urbana, com 93,1%, enquanto em área rural esse percentual foi de 31,7%.

Apenas 8,9% dos domicílios rurais são ligados à rede geral de esgoto

De 2019 para 2025, a proporção de domicílios particulares permanentes com esgotamento sanitário por rede coletora aumentou de 68,1% para 71,4%. Já 98,4% dos domicílios possuíam banheiro de uso exclusivo no ano passado, enquanto em 2019 era de 97,7%. Em áreas urbanas, 99,5% dos domicílios tinham banheiro de uso exclusivo, em 2025, e em 79,3% o escoamento era feito por rede geral. Já em áreas rurais, a proporção era de 90,3% dos domicílios com banheiros exclusivos e em apenas 8,9% o escoamento do esgoto era feito pela rede geral. As diferenças regionais foram acentuadas em relação a domicílios com acesso à rede geral de esgotos: Norte, 30,6%; Nordeste, 52,4%; Centro-Oeste, 66,9%; Sul, 71,6%; e Sudeste chegando a 90,7%.

Quase 5 milhões de domicílios ainda realizam queimada como destino do lixo

A coleta direta por serviço de limpeza foi o destino do lixo em 86,9% dos domicílios particulares permanentes no Brasil em 2025. A modalidade foi a principal em todas as grandes regiões, variando de 79,3%, no Nordeste, a 91,1%, no Sudeste. Já a queimada na propriedade foi o destino do lixo em 4,8 milhões de domicílios do país, sendo 3,6 milhões no Norte e no Nordeste. As duas regiões tiveram recuo frente aos percentuais de 2016: Norte, de 18,6% para 14,5%, e Nordeste, de 17,2% para 13,0%. Nas áreas rurais do país, 50,2% dos domicílios tinham a queima na propriedade como destino do lixo, seguido pela coleta direta por serviço de limpeza (32,4%) e a coleta em caçamba de serviço de limpeza (12,6%). Nas áreas urbanas, o principal destino do lixo foi a coleta direta por serviço de limpeza, em 94,0% dos domicílios.

Quase a totalidade dos domicílios têm acesso à energia elétrica

Em 99,8% dos domicílios havia acesso à energia elétrica em 2025, seja por rede geral ou fonte alternativa. A proporção se mantém desde 2019. Todas as grandes regiões registraram percentual elevado no ano passado: 99,4%, no Norte; 99,8%, no Nordeste; e 99,9%, nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Pela situação do domicílio, a diferença também é pequena: áreas urbanas, com 99,9% dos domicílios, e áreas rurais atingindo 99,3%. No entanto, considerando o acesso à energia elétrica apenas pela rede geral, a área rural da Região Norte foi o percentual mais baixo, com 84,9%.

Domicílios de duas grandes regiões têm mais motos que carros

Entre os bens pesquisados, a geladeira foi o mais presente nos domicílios. Em 2025, 98,4% deles possuíam o eletrodoméstico. Por outro lado, a máquina de lavar roupa esteve presente em 72,1% dos domicílios. De acordo com William, o aumento contínuo dos domicílios com máquina de lavar roupa é um dos destaques da pesquisa. "Os domicílios que passam a ter máquina de lavar roupa tiveram um aumento no Brasil de 9,1 pontos percentuais. Saiu de 63,0% dos domicílios, em 2016, para 72,1%, em 2025. Entre as grandes regiões, há um destaque muito forte para a Região Norte, que saiu de 41,0% para 60,0%, uma expansão de 19 pontos percentuais, e a Região Centro-Oeste, que teve um aumento de 16,6 pontos percentuais, chegando a 83,5%, em 2025".

A pesquisa também verificou que 49,1% dos domicílios possuíam carro, 26,2%, motocicleta, e 13,5%, ambos. Entre as grandes regiões, o Sul apresentou o maior percentual de posse de carro (68,3%). Domicílios no Nordeste e Norte possuíam mais motos (39,5% e 34,5%) que carros (31,0% e 30,0%). Já o Sudeste foi a grande região que registrou a menor proporção de domicílios com motos (20,1%).

Número de pessoas com menos de 30 anos cai 10,4% desde 2012

A população brasileira cresceu 0,4% entre 2024 e 2025, chegando a 212,7 milhões de pessoas. Desde 2013, observa-se uma desaceleração no crescimento anual do número de habitantes do país: ficou em 0,8% de 2013 a 2015, oscilou entre 0,7% e 0,6% de 2016 a 2020, e vem se mantendo em 0,4% desde 2021.

A distribuição da população por grupos etários mostra uma tendência de envelhecimento da população. Em 2012, as pessoas com menos de 30 anos de idade eram 49,9%, passando para 41,4% em 2025. Já a população de 30 anos ou mais cresceu no período 2012-2023, passando de 50,1% para 58,6%.

“A população de menos de 30 anos de idade sofreu não apenas uma redução de participação no total, mas também uma redução de 10,4% no seu contingente, passando de 98,2 milhões para 88,0 milhões de pessoas. Quando se considera o contingente de 0 a 39 anos, a queda foi de 6,1% frente a 2012”, destaca William.

A parcela das pessoas de 60 anos ou mais de idade representava 16,6% da população em 2025, frente à estimativa de 11,3% em 2012. Entre os idosos, destaca-se a expansão da participação das pessoas de 65 anos ou mais de idade, que atingiu 11,6% da população total em 2025.

A Região Norte tinha maior concentração populacional nos grupos mais jovens, com 41,5% de sua população com menos de 24 anos de idade, em 2025. Sudeste e Sul, por outro lado, registraram os menores percentuais de população nessa faixa, com 31,1% e 31,6%, respectivamente, e a média nacional situou-se em 33,7%. A participação da população com menos de 18 anos de idade em relação à população total diminuiu em todas as grandes regiões no período de 2012 a 2025.

Por sua vez, as maiores concentrações da população de 60 anos ou mais de idade ocorreram no Sudeste e Sul, ambas com 18,1%, enquanto a menor foi observada na Região Norte (11,3%). A participação da população idosa cresceu em todas as grandes regiões na comparação com 2012.

População masculina é mais jovem que a feminina

Em 2025, as mulheres correspondiam a 51,2% da população do país, enquanto os homens eram 48,8%. Em todas as grandes regiões, há mais mulheres do que homens: Nordeste (51,7%) e Sudeste (51,3%) apresentaram maiores proporções de mulheres, seguidas da Centro-Oeste (50,7%), Sul (50,9%) e Norte (50,6%).

A população masculina apresenta padrão mais jovem que a feminina. Em 2025, para todos os grupos etários até 24 anos, os homens tinham estimativa superior à das mulheres. No grupo etário de 25 a 29 anos, os contingentes de homens e mulheres eram muito próximos, ficando em 3,9% da população total. A partir dos 30 anos, no entanto, o percentual de mulheres era superior ao dos homens em todos os grupos de idade.

Como a mortalidade dos homens é maior que a das mulheres em cada grupo etário, a razão de sexo (número de homens para cada 100 mulheres) tende a diminuir com o aumento da idade, observando-se maior concentração de mulheres entre a população idosa. Enquanto a razão de sexo para o total da população é de 95,1 homens para cada 100 mulheres, para a população de 65 anos ou mais foi de 75,9.

Menos de 50% da população se declara branca no Sudeste

De 2012 a 2025, o percentual da população que se declarava de cor ou raça branca caiu 3,8 p.p., passando de 46,4%, em 2012, para 42,6%, em 2025. A participação da população de cor ou raça preta cresceu de 7,4% em 2012 para 10,4% em 2025. Já população declarada de cor ou raça parda registrou pouca variação em relação a 2012, de 45,5% para 45,8%.

A participação da população declarada de cor ou raça branca se reduziu em todas as grandes regiões, entre 2012 e 2025, e da população de cor ou raça preta cresceu. Na Região Nordeste, houve a principal expansão da participação das pessoas de cor ou raça preta (4,2 p.p.), e, na Região Sul, das pessoas de cor ou raça parda (5,3 p.p.). “Na Região Sudeste, o percentual de pessoas que se declaram ficou abaixo dos 50%, ficando em 48,9%”, destaca William.

Homens adultos e mulheres idosas são maioria entre os que moram sozinhos

O arranjo domiciliar mais frequente no país em 2025 era o nuclear, que correspondeu a 65,6% do total de domicílios, mas apresentou queda em relação a 2012 (68,4%). O arranjo nuclear consiste em um único núcleo formado pelo casal, com ou sem filhos (inclusive adotivos e de criação) ou enteados. São também nucleares as unidades domésticas compostas por mãe com filhos ou pai com filhos, as chamadas monoparentais.

A unidade estendida, constituída pela pessoa responsável com pelo menos um parente, formando uma família que não se enquadra em um dos tipos descritos como nuclear, correspondia a 13,5% em 2025, com redução de 4,4 p.p. em relação a 2012.

Já as unidades domésticas unipessoais, ou seja, compostas apenas por um morador, passaram de 12,2% para 19,7%, um crescimento de 7,5 p.p (8,2 milhões de domicílios a mais). Ao analisar o padrão etário das pessoas em arranjos unipessoais, observou-se que 12,0% tinham 15 a 29 anos; 46,8% estavam na faixa de 30 a 59 anos; e 41,2% eram pessoas de 60 anos ou mais.

As mulheres eram 45,1% das pessoas que moravam sozinhas em 2025, enquanto os homens eram 54,9%. Há marcantes diferenças entre homens e mulheres que moravam sozinhos quanto ao perfil etário: 56,6% dos homens em arranjos unipessoais tinham 30 a 59 anos, seguidos por aqueles de 60 anos ou mais (28,6%); e, entre as mulheres, a maioria situava-se na faixa de 60 anos ou mais (56,5%).

Sudeste e Centro-Oeste tinham os maiores percentuais de domicílios com apenas um morador, com 20,9% e 20,0%, respectivamente, ao passo que a Região Norte registrou a menor proporção (15,1%). Norte e Nordeste assinalaram as maiores proporções de unidades domiciliares estendidas, com 20,1% e 15,5%, respectivamente, enquanto a Região Sul, com 11,0%, registrou a menor proporção.

Mais sobre a pesquisa

A PNAD Contínua: Características Gerais dos Domicílios e Moradores reúne informações sobre tipo e condição de ocupação, material predominantes das paredes, piso e telhado, serviços de saneamento básico e energia elétrica e posse de bens, dados referentes à caracterização dos domicílios.

Já a caracterização dos moradores apresenta informações sobre distribuição da população, sexo e grupos de idade, cor ou raça e unidades domésticas (arranjos domiciliares). Os dados estão desagregados para Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação, Regiões Metropolitanas e Municípios de Capitais.