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IBGE reúne especialistas e movimentos sociais em Workshop de Experiências de Censos de População em Situação de Rua

Editoria: IBGE | Aluisio Marques

13/04/2026 09h00 | Atualizado em 17/04/2026 12h06

Representantes do Poder Público, das Universidades, de Movimentos Sociais e de Organismos Internacionais participam, entre os dias 13 e 15 de abril, do Workshop de Experiências de Censos de População em Situação de Rua. O evento, promovido pelo IBGE, debate os desafios e as boas práticas voltadas à construção de um Censo Nacional da População em Situação de Rua no Brasil.

Coral da Rua abriu os trabalhos com uma apresentação musical. - Foto: Marina Guerra

Na segunda-feira (13), o Coral da Rua abriu os trabalhos com uma apresentação musical em um auditório lotado. O grupo, composto por pessoas que estão ou que já estiveram em situação de rua, apresentou repertório com canções de Alceu Valença, Milton Nascimento e Elis Regina. O coral é organizado pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. Veja abaixo como foi o lançamento da marca nas redes sociais.

Na sequência, a mesa de abertura do encontro discutiu a importância do Censo. Os diálogos contaram com a mediação do IBGE e contribuições de especialistas da Diretoria de Pesquisas da Fundação, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Ministério da Saúde (MS) e do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua (CIAMP-RUA).

O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, participou do evento por vídeo. Pochmann saudou os envolvidos e destacou a capilaridade do projeto: “A instituição está envolvida no atendimento de uma demanda construída a partir da mobilização, do movimento da sociedade e que o IBGE espera pela primeira vez poder oferecer, então, subsídios que possam, através de políticas públicas, transformar uma realidade que é muito presente no nosso cotidiano”.

A representante do MDHC, Malu Burgareli Gama, abriu os debates reforçando a necessidade de dados precisos para a formulação de políticas públicas. “A realidade é que a gente está fazendo políticas públicas com base em uma estimativa”. Esse entendimento foi corroborado por Lilian Silva Gonçalves, que falou pelo MS. “Precisamos saber que essas estimativas sempre foram subestimadas”.

Micheline Cunegundes, representante da Organização Internacional para as Migrações (OIM) das Nações Unidas (ONU) frisou a relevância da parceria com o IBGE para a troca de conhecimentos que ajudarão na formulação do censo. “Viemos desde Roraima trazendo esse trabalho conjunto. Já trabalhamos no Censo, desde 2022, com a coleta de informações, buscando junto com a Operação Acolhida e com a população venezuelana”, afirmou.

A importância histórica desta operação foi exaltada por Flávio Lino, integrante do Movimento Nacional da População em situação de Rua no Rio de Janeiro (MNPR/RJ) e da Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD). Lino leu um documento que concluiu com a reflexão: “Se não somos contados, não existimos, e se não existimos, não há política pública.”

Os argumentos levantados no Workshop não envolveram apenas teoria. Anderson Lopes Miranda pôde falar sobre o tempo em que vivia na rua. Hoje ele trabalha como Coordenador-Geral do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para População em Situação de Rua (CIAMP-Rua). Miranda tratou do preconceito contra o público-alvo do Censo. “Antes de começar os trabalhos precisamos entender. Porque muitas vezes as pessoas não entendem quem é essa população. Acham que são ainda vagabundos, mendigos, que querem ficar na rua. Não querem”, frisou.

O evento, promovido pelo IBGE, debate os desafios e as boas práticas voltadas à construção de um Censo Nacional da População em Situação de Rua no Brasil. - Foto: Marina Guerra

Pelo IBGE, Gustavo Cayres, Diretor-Adjunto de Geociências, enfatizou que o Censo envolve “uma metodologia que precisa necessariamente ser transversal, que não há como fazer de outro jeito. Uma metodologia que precisa ser necessariamente própria pra essa operação.”

Gustavo Junger, Diretor de Pesquisas do IBGE, ressaltou a continuidade dos trabalhos do Workshop. “Acho que é um início, é um aprendizado para uma série de trajetos, de trilhas que o IBGE precisa percorrer”, arrematou. O encerramento da mesa de abertura coube a Fernando Damasco, Coordenador-Geral de Operações Censitárias do IBGE. Damasco salientou o caráter propositivo do evento: “Somente juntos nós seremos capazes de produzir e entregar ao país o seu primeiro Censo Nacional de População em Situação de Rua”.

As atividades foram retomadas às 14h30, com apresentações de casos nacionais e locais de censos e levantamentos da população em situação de rua. Pesquisadores universitários, institutos de pesquisa estaduais e municipais, junto com representantes de gestões locais e movimentos sociais, tiveram a oportunidade de falar em dois painéis sobre o assunto.

O encontro contou com o apoio da Advocacia-Geral da União (AGU), que cedeu o uso do espaço, no Rio de Janeiro, cuja infraestrutura foi fundamental para a realização das atividades.

“Reunimos aqui coordenadores dos censos realizados por municípios e estados, vindos de todas as regiões do país. Foram três dias de trocas de experiências e debates riquíssimos, potencializados pela excelente infraestrutura da Sede Integrada da AGU, no Rio de Janeiro, a quem agradecemos pela acolhida”, disse Fernando Damasco, coordenador-geral de Operações Censitárias do IBGE.

Diálogos seguem até esta quarta-feira (15). - Foto: Marina Guerra
Diálogos seguem até esta quarta-feira (15). - Foto: Marina Guerra
Diálogos seguem até esta quarta-feira (15). - Foto: Marina Guerra
Diálogos seguem até esta quarta-feira (15). - Foto: Marina Guerra
Diálogos seguem até esta quarta-feira (15). - Foto: Marina Guerra