PeNSE
Com Ministérios da Educação e Saúde, IBGE divulga dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2024
25/03/2026 16h49 | Atualizado em 25/03/2026 16h49
Pesquisadores do IBGE, representantes dos ministérios da Educação e da Saúde e jornalistas da imprensa nacional se reuniram nesta quarta-feira (25), na Casa Brasil IBGE, no Rio de Janeiro, para a divulgação da 5ª edição da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), referente a 2024. O levantamento reúne informações relacionadas à saúde e ao bem-estar de estudantes entre 13 e 17 anos.
A PeNSE é resultado de um somatório de forças. O estudo é desenvolvido pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde e com a colaboração do Ministério da Educação (MEC). Essa cooperação entre diferentes órgãos públicos foi elogiada pelo Diretor de Pesquisas do IBGE, Gustavo Junger: “O Ministério da Saúde foi um dos financiadores dessa operação, com o apoio do Ministério da Educação também, além das secretarias municipais e estaduais de educação, que permitiram ao IBGE chegar até as escolas e acessar esses estudantes.”
No evento, foram destacados dados da pesquisa ligados a hábitos alimentares, prática de atividades físicas, consumo de drogas, saúde mental e segurança. “O objetivo da PeNSE é analisar fatores de risco e de proteção para as doenças crônicas degenerativas, que são as doenças que, infelizmente, mais matam no mundo precocemente. Trata-se de hipertensão, diabetes, problemas cardiovasculares, pulmonares, câncer”, afirmou Marco Andreazzi, gerente da pesquisa. “A maioria dessas doenças tem nas escolhas e nos hábitos que começam na adolescência os seus principais fatores de desenvolvimento”, completou o pesquisador.
Metodologia de pesquisa
A PeNSE tem como um de seus diferenciais a metodologia baseada em questionários eletrônicos autoaplicáveis. Neles, os estudantes respondem às perguntas em um aparelho móvel, de forma anônima. “Grande parte das pesquisas que são realizadas no país, não só pelo IBGE, mas por outros institutos, conta com a figura do agente, do técnico, que vai lá e pergunta diretamente ao informante aquilo que a pesquisa quer saber. Para a PeNSE, a gente precisava de algo que fosse mais direto e que não expusesse o nosso informante — que são os adolescentes — a algum tipo de constrangimento. Porque você está lidando com dados muito sensíveis”, explicou Cristiane Moutinho, Coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE.
Realizada periodicamente desde 2009, com outras edições em 2012, 2015, 2019 e, mais recentemente, em 2024, a PeNSE se consolidou como um referencial para o planejamento do Estado brasileiro. O estudo é feito por amostragem, a partir do cadastro das escolas públicas e privadas de todas as regiões do país.
Parceria com o Ministério da Saúde
A pesquisa é um braço auxiliar dos trabalhos do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DAENT), sob a responsabilidade da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), do Ministério da Saúde. Letícia de Oliveira, diretora do Departamento, enfatizou que “esta edição de 2024 trouxe um alerta muito importante para a gente com relação à experimentação e ao uso de dispositivos eletrônicos para fumar. O Ministério da Saúde tem se preocupado muito com essa questão”.
Oliveira lembrou ainda que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) manteve a proibição da venda desses dispositivos eletrônicos, mas os dados do levantamento mostraram que a medida não impediu que os adolescentes tivessem acesso ao produto. “É muito importante que a gente formule, por exemplo, campanhas de comunicação sobre o risco desses dispositivos eletrônicos de fumar. Esse é um exemplo muito claro de onde precisamos avançar utilizando os dados da PeNSE”, reiterou a diretora.
Trabalho conjunto
A apresentação na Casa Brasil IBGE também contou com o envolvimento de servidores de outros órgãos públicos e entidades que prestam serviços sociais a partir dos indicadores do IBGE. Katiana Teléfora, especialista em políticas públicas e gestão governamental do estado do Rio de Janeiro, compareceu ao evento para “ter contato com os dados nacionais e estaduais, em suas diferentes estratégias”.
Já Luciana Phebo, Chefe de Saúde e Nutrição do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), reforçou a importância prática do estudo: “O UNICEF utiliza muito a PeNSE, não só na organização dos nossos planejamentos internos, mas especialmente no nosso trabalho externo, junto ao Ministério da Saúde e às secretarias estaduais e municipais. Não só da saúde, mas também numa visão intersetorial, já que o resultado da PeNSE fala do adolescente — da saúde do adolescente de uma forma mais ampla.”
Hoje adulta, a PeNSE engatinhou como uma ideia de Deborah Malta. A professora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) idealizou o projeto em 2004, quando trabalhava na Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde. “O IBGE não tinha nenhum tipo de monitoramento para esse público [adolescentes]. Então, isso deu certo e virou um projeto prioritário do IBGE, do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação.”
Mais de duas décadas depois, Malta se emociona ao ver a consolidação da pesquisa. “O fato de ser a 5ª edição nos dá um indicador muito forte da sustentabilidade dessa pesquisa. E isso não é um projeto de governo, é um projeto de Estado, que foi materializado. Essa parceria entre IBGE e Ministério da Saúde foi definitiva nesse sentido”, arrematou a professora.