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ENCE abre ano letivo da pós-graduação com debates sobre território e IA
04/03/2026 11h24 | Atualizado em 04/03/2026 15h49
A Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) realizou, nos dias 02 e 03 deste mês, atividades que marcaram a abertura do ano letivo da pós-graduação, reunindo estudantes, pesquisadores e servidores do IBGE no Centro do Rio de Janeiro. A programação, que foi aberta ao público interessado, contou com a aula inaugural da Especialização em Análise Ambiental e Gestão do Território, no primeiro dia, e encerrou com a aula magna do Programa de Pós-Graduação em População, Território e Estatísticas Públicas (PPG).
Os encontros abordaram questões centrais para a formação oferecida pela Ence: análise de territórios e populações, estudos empíricos sobre povos indígenas e o uso de novas ferramentas, como a Inteligência Artificial (IA), na produção e interpretação de dados estatísticos e geoespaciais.
Território e vida
No dia 2 de março, a aula inaugural teve como tema “Territorializar em busca do ‘viver melhor’: as trajetórias dos povos do Alto Rio Negro em diferentes situações territoriais”. A palestra foi ministrada por Fernando Damasco, doutor em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Coordenador-Geral de Operações Censitárias do IBGE.
Em sua exposição, Damasco destacou como diferentes configurações territoriais — marcadas por processos históricos, institucionais e culturais — impactam as formas de organização e as estratégias de sobrevivência dos povos indígenas do Alto Rio Negro, na Amazônia brasileira. Ao dialogar com experiências de campo e com a produção de dados estatísticos, o pesquisador ressaltou que os territórios são constantemente modificados pelos diferentes grupos sociais, envolvidos em situações geográficas que colocam em jogo seus limites espaciais e, consequentemente, seus territórios e modos de vida.
A aula também foi um convite para repensar a forma como analisamos esses processos de reorganização socioespacial e criamos conhecimentos para o planejamento de políticas públicas comprometidas com a reversão de graves violações a direitos fundamentais, principalmente dos povos indígenas no Brasil.
Impacto da IA na pesquisa acadêmica
No encerramento do evento, nesta terça-feira (03), a aula magna abordou o tema “Como a inteligência artificial generativa está (rapidamente) transformando a pesquisa acadêmica”. Para levantar reflexões sobre o assunto, a ENCE convidou o professor Rafael Cardoso Sampaio, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), pesquisador do INCT Participa e bolsista de produtividade do CNPq.
Durante a apresentação, Sampaio destacou que "temos um duplo desafio, que é ter cuidado com a privacidade, respeitar a LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados], mas ao mesmo tempo usar as tecnologias mais sofisticadas, mais avançadas para se retirar até mais desses dados. Tirar insights, tirar ideias, tirar análises que possam ajudar". O professor reforçou a importância do IBGE nessa discussão: "não consigo imaginar um órgão que estaria em uma posição mais central pra fazer, e possivelmente liderar, esse debate do que o IBGE".
A conversa com o público abordou ainda os impactos da IA na formação de pesquisadores, na avaliação científica e na própria definição de plágio e originalidade, apontando para a urgência de atualização das práticas e normativas institucionais diante das rápidas transformações tecnológicas.
Mais de 70 anos de formação sólida
Fundada em 1953, a ENCE completa 73 anos na próxima sexta-feira (06). A instituição de ensino superior do IBGE oferece o curso de Bacharelado em Estatística, além da Especialização em Análise Ambiental e Gestão do Território e o Mestrado e Doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas. A Escola também atua na capacitação e no treinamento de servidores do IBGE e de outros órgãos públicos.
A vinculação da ENCE ao IBGE proporciona intercâmbio constante com profissionais envolvidos na produção de informações estatísticas e geoespaciais, que atuam como docentes e instrutores. Essa integração fortalece uma formação teórica sólida, apoiada na prática profissional e voltada para o aprimoramento das estatísticas públicas.